Nelson Hoffman foi meu professor. Eu era ainda criança e já tinha que lidar com filmes, filtros e lentes. Focar nos olhos. Enquadrar bem. Devo a ele um estímulo importante. Um amigo espetacular. Paciente.

Meu pai, José Resende Peres foi jornalista de O Globo por 28 anos. A coluna era aos Domingos e tinha sempre uma foto de gado ou de agricultura. Era milho, feijão. Não tinha tanta soja, nem colhetadeiras tão impressionantes como agora.

Ele não gostava de fotografar. Assim, eu tirava as fotos em preto e branco. Muitas. Ficavam guardadas em caixas grandes. Ele abria todas na mesa e escolhia uma para ilustrar o artigo da semana.

A primeira máquina foi uma Rolei. Depois tive por muitos anos uma Spotmatic 35mm. Leve e simples, produzia ótimas fotos. As digitais me pegaram com uma Nikon F2. Agora, as máquinas são computadores em forma de câmeras. E num único grande evento, podemos ter milhares de fotos. Ficou mais interessante. E poder ver na hora o resultado do click é ótimo.

Menino ainda, já tinha que acertar nas fotos os aprumos e a linha de dorso no gado de corte. Tinha que fazer os úberes aparecerem nas vacas de leite. Fui fazer agronomia e morei na roça por 15 anos.

Fotografei gado no México, na Colômbia, na Argentina e na Inglaterra. Nos 4 cantos do Brasil. Da Amazônia ao Rio Grande do Sul. Meu banco de imagens tem dezenas de milhares de fotos em alta. Mas não perdi nada da curiosidade. Da vontade de fazer sempre melhor. De estudar tudo e depois estudar de novo. Tentar capturar a energia do tema é sempre um desafio. Fotografia é o meu assunto. Meu trabalho e minha paixão.

 

auto-retrato